Publicidade

Projeto que pode elevar taxas de cartórios em até 500% enfrenta resistência e chega ao plenário da Assembleia do Paraná

Proposta do Tribunal de Justiça prevê mudanças nos critérios de cobrança de serviços extrajudiciais. Entidades empresariais, setor da construção civil e OAB alertam para impacto no bolso da população e nos custos da atividade econômica.

03/11/2026 às 09h54
Por: JNT NEWS
Compartilhe:
Projeto que pode elevar taxas de cartórios em até 500% enfrenta resistência e chega ao plenário da Assembleia do Paraná

A votação do projeto que modifica os valores cobrados pelos cartórios extrajudiciais do Paraná volta a movimentar a Assembleia Legislativa nesta terça-feira (3). Alvo de críticas de entidades empresariais e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Projeto de Lei 016/2025, apresentado pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), propõe uma reformulação na tabela de custas e emolumentos de serviços como escrituras, registros de imóveis, protestos e emissão de certidões.

A proposta não se limita à correção anual dos valores pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). O texto também modifica os critérios utilizados para calcular as cobranças, estabelecendo novos parâmetros para determinar o valor dos serviços cartorários que envolvem operações financeiras.

De acordo com a justificativa do Tribunal de Justiça, a iniciativa pretende atualizar uma legislação em vigor desde 1970, além de estabelecer mecanismos de transparência, fiscalização e gratuidade e garantir a sustentabilidade econômica das atividades extrajudiciais.

Um dos pontos centrais do projeto determina que, para calcular os emolumentos em determinadas operações, seja considerado o maior valor entre os critérios previstos na legislação. Entre eles estão o preço declarado na negociação, o valor tributário do imóvel e a base utilizada para o recolhimento do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI).

É justamente o potencial aumento das despesas que colocou a proposta no centro de uma disputa entre o Judiciário, representantes do setor produtivo e parlamentares.

Setor empresarial alerta para aumento expressivo dos custos

O G7, grupo que reúne as principais entidades representativas do setor produtivo paranaense, intensificou a mobilização contra o projeto e defende que a votação seja adiada. Segundo as entidades, algumas cobranças poderão registrar aumentos de até 500%, ampliando os custos de operações imobiliárias, comerciais e jurídicas.

A pressão levou o deputado Luiz Fernando Guerra (Novo) a pedir vista da proposta durante reunião da Comissão de Finanças e Tributação, em 19 de outubro. O parlamentar se comprometeu a devolver o texto para discussão nesta semana.

A preocupação das entidades foi expressa pelo presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e coordenador do G7, Ágide Eduardo Meneguette. Em manifestação divulgada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), ele argumentou que o momento econômico não seria adequado para aprovar mudanças capazes de elevar os custos dos serviços cartorários.

Meneguette também destacou que o setor produtivo enfrenta margens de lucro reduzidas e um cenário de incertezas econômicas, jurídicas e políticas. Na avaliação do dirigente, novos encargos podem acabar sendo repassados à sociedade, atingindo empresas e consumidores.

OAB e construção civil também contestam os reajustes

A resistência ao projeto ganhou reforço com a participação do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) e da OAB. As entidades divulgaram um manifesto conjunto questionando os percentuais previstos e os efeitos das mudanças sobre a população.

O documento aponta que os reajustes propostos ultrapassariam significativamente a inflação e seriam aplicados sem mecanismos de escalonamento que permitissem uma adaptação gradual dos usuários.

Entre os exemplos apresentados no manifesto estão aumentos considerados expressivos em serviços utilizados pela população e pelo setor empresarial:

  • Protesto de título de R$ 3 mil: aumento de 351,8%.
  • Certidões de casamento e óbito: de R$ 48,47 para R$ 85, uma elevação de 75,4%.
  • Escritura de imóvel residencial de R$ 360 mil: de R$ 1.377,24 para R$ 2.400, aumento de 74,3%.
  • Registro do mesmo imóvel: de R$ 1.194,42 para R$ 2.200, alta de 84,2%.

Para os representantes das entidades, os novos valores podem dificultar o acesso da população aos serviços cartorários e aumentar as despesas de empresas que dependem desses procedimentos para formalizar negócios e realizar investimentos.

Projeto enfrenta resistência entre deputados

A proposta também encontra oposição dentro da própria Assembleia Legislativa. Luiz Fernando Guerra está entre os parlamentares que questionam os impactos financeiros do texto apresentado pelo Tribunal de Justiça.

Outro crítico é o deputado Delegado Jacovós (PL), que também manifestou resistência às mudanças.

Enquanto o debate avança no Legislativo, o governo estadual informou que não pretende assumir posição favorável ou contrária ao projeto, deixando os deputados da base governista livres para votar conforme seus próprios posicionamentos.

Com a matéria prevista para discussão em plenário, a votação deverá colocar em confronto dois argumentos: de um lado, a defesa do TJPR por uma atualização das regras e dos valores dos serviços extrajudiciais; de outro, o alerta de entidades representativas sobre o peso das novas cobranças para empresas e cidadãos.

O resultado da discussão poderá definir mudanças importantes nos custos de serviços cartorários utilizados diariamente pelos paranaenses, especialmente em operações imobiliárias, registros e emissão de documentos.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários