
O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou que as novas instalações onde seu pai cumprirá pena por tentativa de golpe, na Papudinha, são um “ambiente prisional severo”.
Papudinha é o apelido da sede de um batalhão da Polícia Militar de Brasília que fica perto do Complexo Penitenciário da Papuda. Além do quarto e banheiro, o espaço tem sala, cozinha, área externa e uma lavanderia. O espaço dispõe de TV, cama de casal, armários, geladeira e chuveiro elétrico. A família e aliados pedem para que Bolsonaro seja colocado em prisão domiciliar, sob o argumento de que a saúde o ex-presidente é frágil.
As manifestações de políticos próximos a Bolsonaro também criticam o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, principal responsável pela condenação do ex-presidente e juiz que determinou a transferência. Até esta quinta-feira (15), o ex-mandatário cumpria pena na sede da PF (Polícia Federal), também em Brasília.
Parte dos aliados de Bolsonaro entendeu a transferência como uma espécie de redução de danos, já que as instalações da Papudinha são maiores do que as da Polícia Federal. Mesmo esses, porém, insistem que o presidente deveria ser colocado em prisão domiciliar.
“Meu pai não tem que ir para presídio nenhum, ele tem que ir para casa”, disse Carlos em um vídeo publicado em redes sociais.
Ele afirmou que o ex-presidente tem problemas de saúde e que outros presos já foram enviados para domiciliar por muito menos.
O ex-vereador afirmou que seu pai é perseguido e que a eleição de 2026 é fundamental para ter esperanças. O grupo político bolsonarista quer aprovar uma anistia e eleger senadores em número suficiente para tirar Moraes do Supremo ou ao menos aumentar a pressão contra a corte.
“Alexandre de Moraes, suas qualidades como ser humano não merecem ser enumeradas diante de tamanha maldade praticada contra o último presidente do Brasil, que jamais descumpriu uma linha da Constituição, e também contra os presos do 8 de janeiro”, escreveu o ex-vereador em outra postagem.
“A transferência para um ambiente prisional severo, somada às aberrações jurídicas apontadas e ao estado clínico delicado, passa a representar mais do que o cumprimento de uma decisão judicial: transforma-se em um marco simbólico de confronto institucional, cujo impacto ultrapassa a figura de Jair Bolsonaro”, disse.
Na semana passada, Bolsonaro deixou a prisão temporariamente para ter atendimento médico após sofrer uma queda. Ele passou por exames e voltou ao prédio da PF horas depois. O médico Brasil Caiado, que atende o ex-presidente, disse que ele sofreu um traumatismo craniano leve.
O ex-presidente tem problemas de saúde recorrentes, principalmente ligados à facada da qual foi vítima durante a campanha eleitoral de 2018.
No fim do ano passado, já preso, ele foi submetido a cirurgia para corrigir hérnia. Dias depois, durante a mesma internação hospitalar, Bolsonaro passou por um outro procedimento médico para tentar controlar suas crises de soluços.


