
A crise na rede hospitalar de Foz do Iguaçu, marcada pela superlotação dos prontos-socorros do Hospital Itamed e do Hospital Municipal Padre Germano Lauck, levou a uma reunião nesta sexta-feira (21) envolvendo representantes da saúde municipal e estadual, o presidente do COMUS Khalid Omairi, além do promotor Carlos Alberto Torres da 9ª Promotoria de Justiça. O encontro discutiu medidas emergenciais para ampliar a capacidade de atendimento e reduzir a pressão sobre as duas principais portas de entrada hospitalar do SUS no município.
Um dos principais encaminhamentos da reunião foi a definição, junto ao secretário de Estado da Saúde do Paraná, César Neves, de medidas para credenciar o Hospital Unimed Foz para também prestar atendimento à rede pública, ampliando a estrutura disponível para pacientes do SUS. A medida surge em meio a um cenário de pressão crescente sobre os serviços existentes e deverá ser formalizada dentro dos procedimentos necessários para a inclusão da unidade na rede de atendimento.
A situação do Itamed ganhou maior gravidade nos últimos dias. Em comunicado oficial, o hospital informou que atingiu temporariamente a capacidade máxima do pronto-socorro e dos leitos disponíveis, com pacientes aguardando vagas de enfermaria e UTI. A instituição chegou a restringir temporariamente novas admissões reguladas pela rede pública até que a capacidade assistencial fosse restabelecida. Segundo informações divulgadas sobre a crise, determinados setores chegaram a operar acima da capacidade, enquanto pacientes com indicação de terapia intensiva permaneciam no sistema de regulação aguardando transferência.
O problema, porém, é apontado como crônico e não restrito a um único hospital. A avaliação apresentada na reunião é de que Foz enfrenta crises reiteradas envolvendo equipes de diversas especialidades médicas, superlotação e pressão provocada pelas regulações e requisições externas por vagas. A falta de uma retaguarda suficiente de leitos clínicos e de terapia intensiva dentro do próprio município aumenta a dependência de transferências para outras cidades e regiões de saúde.
Outro ponto considerado crítico é o impacto financeiro e humano das transferências. Segundo os dados apresentados na reunião, os custos com deslocamentos para outros territórios sanitários e com o Tratamento Fora de Domicílio (TFD) ultrapassam R$ 3 milhões por mês aos cofres públicos. Além do impacto financeiro, a situação representa uma sobrecarga logística para o sistema e impõe dificuldades a pacientes, acompanhantes e familiares que precisam deixar Foz para conseguir atendimento especializado ou leitos hospitalares.
Ampliação da rede
A proposta discutida é que o enfrentamento da crise não fique restrito a medidas pontuais de contenção da superlotação. A perspectiva é de ampliação da Rede de Atenção à Saúde, com aumento da capacidade de atendimento hospitalar e criação de uma estrutura de retaguarda capaz de absorver a demanda dentro do próprio município.
O Hospital Unimed Foz possui estrutura hospitalar própria e, desde a inauguração da nova sede, conta com mais de 7 mil metros quadrados, UTI adulto com oito leitos e centro cirúrgico. A eventual inclusão da unidade na rede pública poderá representar uma nova alternativa para desafogar o Itamed e o Hospital Municipal, especialmente se acompanhada de ampliação de leitos, equipes e serviços especializados.
A crise ocorre poucos dias depois de o Itamed comunicar oficialmente às autoridades municipais e estaduais a necessidade de reorganização dos fluxos assistenciais. O hospital informou ter acionado a Secretaria Municipal de Saúde, a Secretaria de Estado da Saúde, a Central Estadual de Regulação e o SAMU para buscar transferência de pacientes e redirecionamento temporário de novos casos.
Com a participação da 9ª Promotoria de Justiça, a discussão ganha também uma dimensão institucional de cobrança e acompanhamento das medidas necessárias para garantir a continuidade e a segurança da assistência. A 9ª Regional de Saúde, sediada em Foz, é responsável pela articulação estadual da saúde na região e abrange, além de Foz do Iguaçu, outros oito municípios.
O desafio agora é transformar o encaminhamento em ações concretas: ampliar a oferta de leitos, reforçar as equipes médicas, melhorar a regulação e reduzir a necessidade de transferir pacientes para outras cidades. Para Foz do Iguaçu, a crise expõe uma questão que vai além da lotação momentânea dos prontos-socorros: a necessidade de uma estrutura hospitalar compatível com a demanda de uma cidade que funciona como referência regional de saúde.


