
Depois de quase sete semanas de uma operação que mobilizou diferentes órgãos públicos, uma onça-pintada macho, de seis anos, ganhou um novo destino nesta quarta-feira (9). O animal, que estava temporariamente no Zoológico Municipal de Cascavel, foi transferido para o Refúgio Biológico Bela Vista, da Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu.
A onça foi capturada em julho, no município de Mandaguari, no Noroeste do Paraná, após uma força-tarefa que durou 48 dias. Desde a captura, o felino vinha recebendo acompanhamento veterinário em Cascavel.
Agora, em Foz do Iguaçu, o animal permanecerá no Refúgio por tempo indeterminado, enquanto especialistas avaliam suas condições físicas, sanitárias e comportamentais.
Entre os caminhos que estão sendo analisados está a possibilidade de parear o macho com uma fêmea para reprodução. A estratégia faz parte das ações voltadas à conservação da onça-pintada, espécie que enfrenta ameaças à sua sobrevivência.
A permanência no Refúgio, entretanto, não significa que o animal permanecerá definitivamente em cativeiro.
Uma eventual devolução à natureza também está entre as possibilidades. Para isso, será necessário avaliar uma série de fatores, incluindo a saúde do animal, seu comportamento, as condições da área onde poderia ser solto e a existência de condições ecológicas e sanitárias adequadas.
O processo também deverá levar em conta as recomendações do CENAP/ICMBio, além das avaliações das instituições que acompanham o caso.
A história do felino começou em Mandaguari, onde sua presença mobilizou uma grande operação para tentar capturá-lo com segurança.
Participaram da força-tarefa equipes do Instituto Água e Terra (IAT), Batalhão de Polícia Militar Ambiental, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Ibama, Prefeitura de Mandaguari e Centro Universitário Filadélfia (Unifil).
Para a bióloga Nathalia Colombo, da Diretoria de Patrimônio Natural do IAT, o trabalho realizado durante a captura reforçou a necessidade de integração entre diferentes instituições na proteção da fauna.
Com a transferência para o Refúgio Biológico Bela Vista, a onça passa a contar com uma estrutura voltada ao manejo e acompanhamento especializado.
O próximo capítulo da história do animal, porém, ainda não está definido.
A equipe técnica terá que determinar se o melhor caminho será mantê-lo sob cuidados humanos, buscar um possível programa de reprodução ou, caso reúna todas as condições necessárias, estudar uma futura reintrodução na natureza.
Por enquanto, a prioridade é uma só: garantir que as decisões sobre o futuro do felino sejam tomadas com base em avaliações técnicas e nas estratégias de conservação da espécie.


