
As fortes chuvas registradas na região da Tríplice Fronteira provocaram uma rápida elevação nos níveis dos rios Iguaçu e Paraná, levando a Defesa Civil de Foz do Iguaçu e a Itaipu Binacional a intensificarem o monitoramento e emitirem alertas preventivos à população.
Às 8h desta segunda-feira (12), a vazão do Rio Iguaçu nas Cataratas atingiu 11.800 metros cúbicos por segundo (m³/s), volume aproximadamente seis vezes superior à média considerada normal para o trecho do rio em Foz do Iguaçu. O cenário exige atenção, principalmente nas áreas próximas aos cursos d’água e em regiões historicamente sujeitas a alagamentos.
Apesar do aumento expressivo da vazão, o Parque Nacional do Iguaçu permanece aberto à visitação turística. A restrição, até o momento, é na passarela da Garganta do Diabo, que está interditada por segurança. Os demais mirantes e atrativos seguem disponíveis aos visitantes.
A situação também preocupa nas margens do Rio Paraná. Conforme projeções divulgadas pela Itaipu, o nível do rio nas proximidades da Ponte da Amizade poderá alcançar a marca de 115 metros acima do nível do mar.
Caso essa projeção se confirme, o nível poderá superar as cotas de inundação em áreas como o bairro San Rafael, em Ciudad del Este, no Paraguai, e o Porto de Areia, em Foz do Iguaçu.
A usina mantém o vertedouro aberto para liberar o excedente de água do reservatório, que continua em elevação, segundo o acompanhamento hidrológico realizado ao longo do dia.
Em comunicado divulgado na noite de domingo (11), a Defesa Civil informou que acompanha a situação há vários dias e intensificou a vigilância diante da subida dos rios.
O órgão orienta moradores, pescadores e empresas instaladas em áreas ribeirinhas a adotarem medidas preventivas e, se houver necessidade, deixarem antecipadamente os locais vulneráveis a alagamentos e inundações.
A recomendação é não esperar a água atingir residências ou estabelecimentos para iniciar a retirada de pessoas e pertences. A evolução do nível dos rios pode exigir decisões rápidas, especialmente em áreas mais baixas.
Entre os pontos destacados pela Defesa Civil estão o Porto de Areia, na região do Porto Meira, e as áreas ocupadas por pescadores nas proximidades do Espaço das Américas.
Outro local que merece atenção é o vale do Rio Boicy, incluindo áreas como a Favela do Cemitério. A elevação do Rio Paraná pode dificultar o escoamento de seus afluentes e provocar o represamento das águas, aumentando o risco de alagamentos em regiões ribeirinhas.
Por isso, moradores dessas localidades devem acompanhar os comunicados oficiais e ficar atentos a qualquer sinal de elevação rápida da água.
Em Ciudad del Este, os efeitos da cheia já provocaram a retirada de pelo menos 60 famílias de suas residências no bairro San Rafael. Enquanto durar a situação de emergência, os moradores desalojados deverão permanecer em abrigos provisórios, incluindo ginásios esportivos disponibilizados no município paraguaio.
O episódio reforça a preocupação com as comunidades instaladas próximas ao Rio Paraná, cuja elevação afeta os dois lados da fronteira.
A evolução dos níveis dos rios dependerá do volume de chuvas e das condições hidrológicas das próximas horas. A Itaipu disponibiliza boletins com informações e projeções para a região de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este em seu site oficial: www.itaipu.gov.br.
A orientação às comunidades ribeirinhas é manter a atenção redobrada, evitar áreas alagadas e seguir as instruções dos órgãos de emergência. Em situações como essa, a prevenção e a saída antecipada de áreas de risco podem ser decisivas para proteger vidas.


