
Da redação com Tribuna Popular
Durante a campanha eleitoral de 2026, Flávio Ferrari, conhecido como “Faca na Bota”, candidato a deputado federal pela federação União Brasil e Progressistas (PP), publicou um vídeo no qual lamentava as dificuldades financeiras enfrentadas na disputa. Na gravação, apresentou-se como o único candidato sem recursos para financiar a própria campanha, transmitindo aos eleitores a imagem de quem disputava a eleição em condições desfavoráveis.
Passado o período eleitoral, porém, informações atribuídas aos registros da Justiça Eleitoral apontam para um dado que merece esclarecimento: um suposto repasse de R$ 260 mil à campanha de Ferrari, proveniente da Direção Estadual do PSD do Paraná. Com outros recurso de doações, o montante segundo registrado no Divulgacand chegou a quase 360 mil reais. E pasmem, os gastos na campanha como mostra a imagem abaixo passaram dos 290 mil reais. Então dinheiro ele teve.

Se os valores e a origem da transferência forem confirmados nos registros oficiais, a diferença entre o discurso público e os recursos registrados levanta uma questão legítima: em que momento o dinheiro chegou e qual era, de fato, a situação financeira da candidatura quando o vídeo foi gravado?
O discurso e os números da campanha
Na política, reclamar da falta de estrutura financeira não é, por si só, irregular. Candidatos podem enfrentar dificuldades mesmo quando recebem recursos partidários, especialmente diante dos custos de uma campanha eleitoral.
O ponto central, neste caso, é outro: a necessidade de esclarecer se a mensagem transmitida aos eleitores correspondia à realidade financeira da candidatura naquele momento.

O eventual repasse de R$ 260 mil teria ocorrido antes ou depois da gravação? O candidato tinha conhecimento do recurso? O dinheiro foi efetivamente disponibilizado para uso na campanha? Os valores foram declarados na prestação de contas?
São perguntas objetivas, que podem ser respondidas por meio dos registros oficiais e de um posicionamento do próprio candidato.
É importante distinguir, ainda, o recebimento de recursos partidários da disponibilidade imediata do dinheiro. A data do repasse, o registro contábil e a efetiva entrada dos valores na campanha são elementos necessários para compreender o contexto. Portanto, sem a conferência desses dados, não é possível concluir que houve contradição deliberada ou qualquer irregularidade.
32.591 votos e a nona suplência
Ao final da disputa, Flávio Ferrari somou 32.591 votos e terminou na nona suplência, conforme os resultados informados.
O desempenho eleitoral encerrou a disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados, mas deixou espaço para outra discussão: a responsabilidade dos candidatos de prestar esclarecimentos sobre as informações que divulgam durante a campanha.
A transparência eleitoral não se limita à apresentação formal das contas. Também envolve a coerência entre o discurso público e os dados financeiros que podem ser consultados pelos eleitores.
Se o candidato se apresentou como alguém sem recursos, mas recebeu posteriormente uma quantia expressiva, a cronologia pode esclarecer a aparente divergência. Se o dinheiro já estava disponível quando o vídeo foi gravado, a cobrança por uma explicação ganha outro peso.
Em qualquer cenário, os documentos são fundamentais para evitar conclusões precipitadas.
A pergunta que ficou depois da eleição
O episódio abre uma oportunidade para que Flávio Ferrari esclareça publicamente a origem, a data e a destinação dos R$ 260 mil atribuídos à sua campanha, além de explicar em que circunstâncias foi produzido o vídeo sobre as dificuldades financeiras.
A cobrança não precisa partir de uma acusação. Basta partir de um princípio básico da vida pública: o eleitor tem o direito de compreender as informações apresentadas por quem pede seu voto.
Afinal, se houve espaço para gravar um vídeo sobre a falta de dinheiro, também deve haver espaço para explicar os números da campanha.
Na política, a transparência não pode ser exigida apenas dos adversários ou dos governos. Ela precisa valer para todos, inclusive quando as perguntas surgem depois da eleição.
Qual será o projeto político do candidato para 2028? Se estiver em Foz, vai se candidatar a um cargo para vereador? Ou assim como o companheiro de emissora um cargo de vice prefeito, ou até mesmo chefe do executivo? Esperamos que até lá Flávio possa pensar um pouco mais em ser mais transparente e que os fatos sejam todos apresentados, afinal depois dessa, muita gente pode ficar em dúvida quando nas redes o moço colocar algo.


